A integridade deixou de ser apenas um tema de compliance para ocupar o centro das discussões sobre desenvolvimento, governança e confiança institucional. Foi com essa premissa que o 1º Encontro de Integridade do Sistema S do Espírito Santo reuniu, nesta quarta-feira (5), na sede do Sebrae/ES, em Vitória, autoridades, especialistas e dirigentes das entidades que compõem o Sistema S capixaba.
O destaque da programação se deu com a participação do ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinicius Marques de Carvalho, que defendeu uma atuação conjunta entre poder público, iniciativa privada e sociedade para fortalecer a cultura da integridade no país.
Promovido de forma inédita pelas instituições do Sistema S no Espírito Santo, o encontro marcou a união do Sebrae/ES, Sesi, Senai, Sesc, Senac, Senar, Sescoop e Sest/Senat em torno de uma agenda pensada com a finalidade de compartilhar experiências, fortalecer boas práticas e estimular uma cultura organizacional baseada na ética, na transparência e na responsabilidade.

Durante a abertura, o superintendente do Sebrae/ES, Pedro Rigo, destacou que a integridade deve orientar não apenas processos internos e contratações, mas também as decisões estratégicas das instituições.
“Este encontro representa uma grande oportunidade de troca de experiências e de fortalecimento das boas práticas, contribuindo para que possamos atender cada vez melhor à sociedade. No caso do Sebrae/ES, isso significa ampliar nosso impacto no desenvolvimento dos pequenos negócios e do empreendedorismo”, afirmou.
Pedro Rigo, também ressaltou o compromisso da instituição com o tema, lembrando a adesão do Sebrae/ES ao Pacto Brasil pela Integridade, iniciativa da CGU voltada ao fortalecimento da governança e da ética organizacional.

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Cooperação para reconstruir a confiança
Ponto alto do evento, a palestra do ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinicius Marques de Carvalho, intitulada “A força da cooperação entre o público e o privado pela integridade”, trouxe uma reflexão sobre a evolução do combate à corrupção e os desafios atuais para a construção de instituições mais confiáveis.
Segundo o ministro, os modelos tradicionais baseados exclusivamente em fiscalização e punição são importantes, mas insuficientes para enfrentar um problema complexo como a corrupção. Para ele, a agenda moderna precisa estar centrada na criação de um verdadeiro ecossistema de integridade.
“Integridade não é apenas combater a corrupção. É construir instituições legítimas, transparentes, eficientes e comprometidas com seu propósito”, defendeu.
O ministro da CGU destacou ainda que a confiança da população nas instituições depende da capacidade de governos, empresas e organizações atuarem de forma articulada, adotando práticas que promovam transparência, participação social e responsabilidade.
Durante a apresentação, Vinicius de Carvalho também destacou iniciativas da CGU voltadas ao fortalecimento da integridade no país, como o Programa Pró-Ética, o Pacto Brasil pela Integridade Empresarial e a ferramenta de inteligência artificial Alice Análise, utilizada para identificar irregularidades em processos licitatórios e prevenir desperdícios de recursos públicos.

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Encontro nasce com vocação para ser referência
Para o gerente da Unidade de Integridade Corporativa do Sebrae/ES, Lourenço Friggi, o evento representa o início de uma agenda permanente de fortalecimento da integridade no Estado.
Segundo ele, o encontro foi idealizado para se tornar uma referência na discussão do tema no Espírito Santo, reunindo especialistas de renome nacional, representantes de órgãos públicos e lideranças empresariais.
“A força e a capilaridade do Sistema S permitiram a construção de um evento robusto, com ampla participação e troca de experiências. Temos todos os elementos para consolidar essa iniciativa e transformá-la em um marco permanente da agenda de integridade capixaba”, afirmou.

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Cultura de integridade vai além das regras
Outro destaque da programação foi a palestra do especialista em governança corporativa Alexandre Di Miceli, que abordou o tema “Cultura de Integridade: o que é, como medir e como construir”.
Di Miceli chamou a atenção para um desafio enfrentado por muitas organizações de acreditar que a simples existência de normas e programas de compliance é suficiente para criar uma cultura ética.
Segundo Alexandre, estruturas de integridade são importantes, mas só produzem resultados quando acompanhadas pelo exemplo das lideranças, pela transparência diária e por sistemas de incentivo alinhados aos valores da organização.
“Uma estrutura de integridade não corresponde necessariamente a uma cultura de integridade. A confiança é construída na forma como as pessoas agem e tomam decisões todos os dias”, destacou.
Para o especialista, organizações que cultivam ambientes éticos fortalecem sua reputação, ampliam a confiança de colaboradores e da sociedade e conseguem cumprir melhor seu propósito institucional.

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Compromisso coletivo
Representantes das demais entidades do Sistema S também reforçaram a importância da integridade como valor estratégico para a sustentabilidade institucional.
O diretor-geral da Findes, Roberto Campos, afirmou que a integridade deve estar presente mesmo quando não há fiscalização. O vice-presidente da Fecomércio-ES, José Carlos Bergamin, destacou que a união das instituições amplia resultados e fortalece o reconhecimento público. Já o presidente do Sistema Faes/Senar-ES, Júlio Rocha Junior, ressaltou que a reputação é um dos ativos mais valiosos das organizações.
A gerente do Sest/Senat, Fernanda Stanzani, e o assessor jurídico do Sistema OCB/ES e Sescoop/ES, Eduardo Campanha, também enfatizaram que ética, transparência e boa governança são pilares indispensáveis para gerar confiança e impacto social.
O secretário de Estado de Controle e Transparência, Edmar Camata, destacou que a integridade precisa sair dos discursos e fazer parte das decisões diárias das organizações.
Mais do que um evento, o primeiro Encontro de Integridade do Sistema S consolidou uma mensagem comum entre seus participantes: em um cenário de crescente exigência por transparência e responsabilidade, a integridade deixou de ser um diferencial para se tornar uma condição essencial para a legitimidade e a confiança das instituições.

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