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Diversidade e empreendedorismo abrem espaço para oportunidades e inovação

Histórias de empreendedoras capixabas LGBTQIA+ mostram como diferentes vivências fortalecem negócios, ampliam mercados e transformam realidades
Por Vítor De Vincentis
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A diversidade tem se consolidado como um diferencial competitivo no ambiente de negócios. Além de ser uma pauta diretamente ligada à inclusão e aos direitos humanos, ela também representa uma oportunidade para inovação, geração de renda e desenvolvimento econômico. Cada vez mais, empreendimentos liderados ou idealizados por pessoas com distintas vivências, origens e trajetórias vêm apresentando mais criatividade, habilidade para atender públicos variados e, consequentemente, isso estabelece a fidelização de clientes.

O tema ganha ainda mais relevância neste mês, quando é celebrado, em 28 de junho, o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, data que destaca a importância da representatividade e da valorização das diferenças em todos os espaços da sociedade, incluindo o empreendedorismo.

A gestora do Programa Plural do Sebrae/ES, Juliana Castro, destaca que fomentar ambientes mais diversos é uma forma de incentivar a inovação. “Quando temos empresas e equipes compostas por pessoas diversas, as possibilidades de encontrar soluções inovadoras se multiplicam: surgem ideias novas, vindas de pontos de vista distintos e experiências de vida únicas. A diversidade amplia o olhar por meio de uma rica troca de vivências. Negócios que têm ambientes diversos estão mais propensos a identificar o que o cliente busca de fato e como podem atender essas expectativas”.

Dados da pesquisa “LGBT + Empreendedorismo”, realizada pelo Datafolha em parceria com o Sebrae, em dezembro de 2024, mostram que o empreendedorismo tem um papel relevante para a comunidade LGBTQIA+. O estudo aponta que 24% das pessoas LGBTQIA+ já possuem um negócio próprio, enquanto 11% pretendem empreender em breve e outros 20% manifestam interesse em abrir uma empresa futuramente.

Para essa comunidade, o empreendedorismo também é visto como uma ferramenta de fortalecimento pessoal e representatividade. Entre os empreendedores LGBTQIA+ entrevistados, 63% acreditam que ter um negócio próprio pode inspirar e impulsionar outras pessoas do mesmo círculo, contribuindo para a ocupação de novos espaços no mercado.

Arte, bordado, identidade e empreendedorismo

A história da empreendedora Gabi Almeida é um exemplo de como experiências pessoais podem se transformar em oportunidades de negócio. Multiartista e fundadora da marca A Ovelha Colorida, ela trabalha com bordado artesanal, produzindo quadros decorativos, acessórios e peças personalizadas. Mais recentemente, criou também a FioFio, marca desenvolvida em parceria com sua companheira, Jess Nunes, que une bordado e design gráfico em produtos inspirados na cultura pop, diversidade e diferentes formas de expressão.

Gabi produz bordados artesanais que são usados como quadros decorativos, acessórios e peças personalizadas diversas. Foto: divulgação

A trajetória empreendedora de Gabi começou durante a pandemia da Covid-19. O que inicialmente surgiu como uma atividade para lidar com a ansiedade acabou se transformando em uma fonte de renda e, posteriormente, em um negócio bem estruturado. Segundo ela, sua identidade LGBTQIA+ influenciou diretamente a construção da marca e da forma como se relaciona com os clientes. “A representatividade sempre foi algo importante para mim. De certa forma, a A Ovelha Colorida nasceu também desse desejo de criar coisas que acolhessem diferentes pessoas e histórias. Minha própria vivência me tornou mais sensível à importância de criar peças que tenham significado para quem as recebe”, afirma.

Com o passar dos anos, Gabi buscou capacitação para profissionalizar o empreendimento, incluindo a participação na Trilha Gestão e Design no Artesanato, realizada pelo Sebrae/ES em parceria com o Projeto Fazendo Arte. Para ela, investir em conhecimento foi fundamental para transformar a produção artesanal em um negócio sustentável.

Superação e construção do próprio espaço de crescimento

Outra história que comprova a força do empreendedorismo como ferramenta de transformação é a de Ana Julya de Oliveira Castro, fundadora da Beleza Sem Rótulos. Maquiadora profissional, revendedora de cosméticos e influenciadora digital, ela começou a empreender ainda na infância, ajudando a complementar a renda familiar durante um tratamento de saúde do pai.

Ana Julya de Oliveira Castro é fundadora da Beleza sem Rótulos. Foto: divulgação

Anos depois, Ana Julya, que é uma mulher trans, encontrou dificuldades para ingressar no mercado de trabalho formal e, a partir deste cenário, decidiu investir na área da beleza e construir seu próprio caminho profissional. “A maquiagem foi o meu refúgio e a minha emancipação. O próprio nome da minha empresa nasce da minha história de vida. Passei a vida inteira tendo que lidar com rótulos impostos pela sociedade e decidi que o meu trabalho seria justamente o oposto disso”, revela.

Ana Julya reconhece que houve avanços importantes na maneira da sociedade pensar como um todo, porém salienta que pessoas LGBTQIA+ ainda enfrentam obstáculos específicos para empreender, especialmente em cidades do interior. Ela cita o preconceito, a invisibilização e a dificuldade de acessar redes de apoio e oportunidades de crescimento. Ainda assim, acredita que o empreendedorismo pode abrir portas e ampliar a autonomia financeira. “Eu entendi muito cedo que, quando não se tem oportunidades, nós precisamos construir as nossas próprias. Se não existia o espaço que eu precisava para crescer, decidi criar esse espaço através do meu próprio negócio”.

Dificuldades como acesso a crédito, redes de relacionamento e oportunidades de capacitação ainda podem estar presentes para muitos empreendedores de grupos historicamente minorizados. Nesse contexto, o Sebrae/ES, por meio da Loja Sebrae, oferece programas, cursos, consultorias e mentorias voltados ao fortalecimento dos pequenos negócios, contribuindo para que mais empreendedores possam transformar ideias em oportunidades concretas de crescimento.

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