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No Espírito Santo, a cada três empreendedores um é mulher

Com uma população feminina de 51%, o estado tem 1,7 milhão de mulheres em idade de trabalhar, das quais 195 mil delas empreendem.
Por Cleci Krüger
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Cada vez mais as mulheres têm conquistado novos espaços na sociedade — e no empreendedorismo não é diferente. No Espírito Santo, 51% da população é feminina, 1,7 milhão está em idade de trabalhar e 195 mil delas empreendem. Os dados, que são da pesquisa Retrato do Empreendedorismo Feminino Capixaba, do DataSebrae ES, mostram que um em cada três empreendedores capixabas é mulher. Apesar de desafios encontrados ao longo da jornada, as informações da pesquisa reforçam que há motivos para celebrar, não apenas no Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8 de março, essa evolução que vem ocorrendo no dia a dia das capixabas que empreendem.

Estudo realizado pelo Sebrae Nacional, com base em dados do IBGE, revela que entre o 4º trimestre de 2012 e o 4º trimestre de 2025 o número de mulheres empreendedoras passou de 7,4 milhões para 10,4 milhões. Ao final de 2025, os registros apontam a existência de 567,4 milhões de donos de negócios, dos quais 180,8 milhões são mulheres. Esse resultado corresponde a um terço da liderança feminina entre os empreendedores nacionais e representa um crescimento de 31,7% ao longo de dez anos.

Apesar dos avanços, empreendedores do sexo masculino ainda dominam as estatísticas, com uma taxa de participação na força do trabalho de 73,1%. Em paralelo, a taxa de desocupação entre elas é maior, com 3,1%, contra 2,2%, o que sugere uma maior dificuldade em se inserir no mercado de trabalho. A diferença também reflete no bolso. No Espírito Santo, o rendimento médio mensal das mulheres fica em torno de R$2.786, enquanto o dos homens é de R$3.692, representando que elas recebem 24% menos que os homens.

Capacitação como estratégia
Seja no mercado de trabalho ou no empreendedorismo, o crescimento não acontece por acaso. A jornada empreendedora traz desafios e exige preparo. Em 2025, uma em cada quatro empresas lideradas por mulheres recebeu apoio do Sebrae no Espírito Santo. A qualificação tem papel central nessa evolução.

“Os dados mostram um movimento consistente de crescimento da presença feminina no empreendedorismo, mas também evidenciam desafios importantes. Por isso, a capacitação se torna uma ferramenta estratégica para transformar potencial em resultado. Quando a empreendedora investe em conhecimento, organiza a gestão e fortalece sua rede de conexões, ela passa a ter ferramentas para expandir de forma estruturada o seu negócio. Apoiamos essas mulheres para que seus empreendimentos evoluam e se tornem mais competitivos”, explica Eurípedes Pedrinha, diretor-técnico do Sebrae/ES.

Por meio do programa Sebrae Delas, as empreendedoras recebem mentorias, orientação para acesso ao crédito, rodadas de negócios, eventos de conexão, ações de visibilidade e redes de apoio voltadas ao fortalecimento do empreendedorismo feminino.

Segundo a gestora do Sebrae Delas no Sebrae/ES, Suzana Fernandes, as trilhas de capacitação são pensadas a partir das demandas dos territórios e do estágio de maturidade das empresas. “Elas são estruturadas para desenvolver competências técnicas e comportamentais, sempre com foco na aplicação prática e na melhoria dos resultados empresariais”, explica.

Há trilhas específicas voltadas para mulheres, que abordam desafios como acesso a crédito, fortalecimento da autoconfiança e ampliação de redes de apoio. “Essa segmentação torna o conteúdo mais contextualizado e aplicável à realidade delas”, destaca Suzana​. Entre os temas mais procurados são gestão financeira, liderança, marketing digital, vendas e planejamento estratégico. Também ganham destaque conteúdos voltados à inovação e ao posicionamento de mercado.

Trajetória reinventada para apoiar outras empreendedoras
A consultora empresarial Ana Claudia Prates, fundadora da Crescere, transformou desafios pessoais no empreendedorismo em um negócio que apoia mulheres. Criada em 2023, a empresa oferece consultoria para microempreendedoras que desejam estruturar ou fortalecer a gestão de suas empresas. Com atendimentos realizados de forma remota, a Crescere já orientou mais de 45 negócios em diferentes regiões do Brasil e também no exterior.

Ana Claudia Prates, fundadora da Crescere. Crédito: arquivo pessoal

A trajetória começou em 2018, com uma floricultura online que cresceu durante a pandemia, mas acabou encerrando após a abertura de uma loja física. A experiência revelou lacunas na gestão e motivou Ana a buscar capacitação. Depois de retornar ao mercado de trabalho e atuar na área comercial e de consultoria empresarial, ela decidiu criar a própria empresa para levar conhecimento de gestão a microempreendedoras que enfrentam desafios semelhantes aos que viveu.

Em 2025, Ana participou de eventos e capacitações que contribuíram para fortalecer sua atuação, especialmente nas áreas de negociação e marca pessoal. Para ela, investir em conhecimento é essencial para quem deseja crescer com consistência. “Muitas empreendedoras dominam o produto que vendem, mas ainda precisam desenvolver habilidades de gestão. Entender o financeiro, a sazonalidade do negócio e a estratégia de vendas faz toda a diferença para transformar conhecimento em resultados”, afirma.

Do pequeno negócio ao crescimento real
“A capacitação qualifica a tomada de decisão, organiza processos e reduz riscos. Ela transforma ideias em estratégias estruturadas, fortalecendo a sustentabilidade e o crescimento do negócio”, afirma Suzana. Empresas que investem em capacitação e acompanhamento técnico apresentam maior taxa de sobrevivência e melhores indicadores de organização financeira e expansão. O diferencial entre negócios que permanecem pequenos e aqueles que crescem está no preparo estratégico.

Suzana Fernandes, gestora do Sebrae Delas.

Para empreendedoras que querem dar o próximo passo, a recomendação é aplicar imediatamente o que foi aprendido, definir metas claras, acompanhar indicadores e ajustar rotas quando necessário. O aprendizado contínuo é chave para transformar conhecimento e habilidades em estratégias lucrativas.

“É fundamental fazer um diagnóstico do negócio. Se o principal desafio está na organização interna, priorizar gestão e finanças. Se está na expansão, focar em vendas e marketing. A capacitação deve responder ao gargalo mais urgente da empresa”, salienta a gestora.

Como acessar trilhas de capacitação gratuitas
Para acessar as trilhas e cursos do Sebrae, basta consultar o es.sebrae.com.br, pela plataforma Sebrae Delas, ou nas unidades regionais do Sebrae, que também divulgam capacitações presenciais e híbridas. Grande parte dos cursos é gratuita.

As trilhas são organizadas de acordo com o momento do negócio: para quem quer começar a empreender, com conteúdos sobre comportamento empreendedor, planejamento e validação de ideias; para quem já tem empresa, com temas como gestão financeira, marketing e vendas; e para quem deseja profissionalizar ou escalar o negócio, com materiais de planejamento estratégico, inovação, liderança e acesso a mercados.

Retrato das mulheres que empreendem no ES
85,2% – Trabalham por conta própria
81,7% – Tão possuem sócios
77,1% – Possuem renda de até 2 salários mínimos
65,2% – Têm escolaridade até nível médio
54% – São negras, sendo a maioria chefe de domicílio
50,5% – Atuam na informalidade
39,3% – Já formalizaram seu negócio

Fonte: DataSebrae ES

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